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Feche os olhos!
Sim, é um luxuoso hotel de cinco estrelas! Você está deitada em uma deliciosa espreguiçadeira, banhada pelo sol da manhã. Vez por outra alguém mergulha na piscina que está à sua frente e alguns respingos não a deixam cochilar. Um garçom solícito lhe pergunta se quer um suco ou quem sabe uma água de coco bem gelada.No armário lhe esperam as melhores grifes nacionais e algumas internacionais, e no toucador… Hum! Respire fundo! Acho que é Lou Lou da Cacharel. Claro que o sol não a preocupa, pois gastou uma fortuna em cremes e xampus que a deixarão digna de um príncipe. Espreguice mais um pouco e lembre-se: “Você merece!. Afinal trabalhou o ano inteiro para quê? Acho que esse dinheiro deve ser gasto para o seu prazer e diversão”.

Agora, abra os olhos! Coloque os pés no chão.

Ora, quem permitiu que se formasse uma favela ao lado de um hotel de luxo?
Será possível descansar vendo essas miseráveis crianças de nariz escorrendo, pedindo esmola o tempo todo? Ei! O que é isso? Será que a água da piscina estava contaminada? Será isso uma micose? E os cremes, não passaram de apelos publicitários? Ih! As traças não respeitam nem Calvin Klein? Que droga! Será que um descanso não é merecido?
Você gastou todo o seu dinheiro neste sonho de férias e acordou se sentindo horrível! Está com algumas dívidas, a alma vazia e aquela sensação de ter usado mal o seu dinheiro e o seu tempo. Muito bem, chegamos ao ponto certo.
Claro que não é errado tirar férias em um lugar diferente, junto a pessoas afetivas e amigas, “jogando conversa fora”. Você trabalhou o ano inteiro, trocou o suor do seu rosto por dinheiro e na hora de usá-lo fica confusa, escolhe a forma errada e muitas vezes é enganada pela pregação de uma sociedade altamente consumista.
Então, vem a nossa pergunta: Como você gasta o seu dinheiro? Usa-o de acordo com a vontade de Deus? Sabe como administrar com equilíbrio as bênçãos que vêm em forma de dinheiro? Saiba que não vamos ditar regras de como gastar o seu dinheiro, queremos apenas ajudá-la a conhecer um pouco mais sobre ele e dar algumas dicas de como manter-se acordada ante a canção hipnótica do consumo.

O que é dinheiro? Como e para que ele surgiu?

A princípio ele era a própria mercadoria, conhecida como escambo. Certos objetos eram mais aceitos que outros e podiam ser trocados por uma variedade maior de outras mercadorias. Essa modalidade de troca ou escambo surgiu em diferentes lugares e sob as mais diversas formas. Serviram como dinheiro as conchinhas do mar, pele de animal, sal (daí a palavra salário), cereais etc. No Antigo Testamento contamos as riquezas dos nossos patriarcas na quantidade de seu rebanho de gado e ovelhas. Vemos o Egito se tornando um império poderoso por causa da sua tecnologia em guardar cereais em silos.
Porém, com o tempo, surgiu a necessidade de mudar as características físicas do dinheiro para algo que fosse de fácil transporte, não perecível e divisível (que pudesse fazer troco). Só então surgiram as primeiras moedas de bronze, prata e ouro. Dessa forma, o dinheiro foi adotado por toda a antiguidade. Hoje ele é a moeda mestra que move todo tipo de interesse e ambição em nosso planeta.

Por que nos sentimos atraídas pelo dinheiro?

Lemos em Ezequiel 28.5 que a deterioração de um anjo (Satanás), seguindo-se da queda de sua posição no céu, começou pela extensão de sua sabedoria no comércio, e por isso “elevou-se o seu coração”.
Quando o Diabo tentou Jesus no deserto, levou-o a um alto monte e ofereceu-lhe os reinos que a ele tinham sido entregues. Em 1 Timóteo 6.10 lemos que “o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males”. Portanto, nossa atração externa pelo dinheiro (tanto a usura como a avareza) é algo ligado ao pecado, que por sua vez é um desvio da perfeição que Deus tem proposto para os seus filhos.
A esta altura, você deve estar se perguntando: o dinheiro é uma maldição? A resposta é não, desde que você encontre na cruz de Cristo o equilíbrio para manuseá-lo e a forma correta de aplicá-lo, deixando bem claro ao tentador que você serve a Deus e não a Mamom.

Onde você está aplicando o seu dinheiro?

Há toda uma forma sutil e perversa de nos atrair ao consumismo. Temos dentro de nós uma necessidade imensa de segurança, de nos sentirmos aceitas e de sermos vistas. Os publicitários (profissionais na técnica de venda) sabem disso e usam essas necessidades para nos controlar e até mesmo dominar.
Duas questões básicas são levantadas no planejamento de marketing sobre a análise do mercado a ser atingido: l) Quais as necessidades psicológicas do consumidor? 2) Como esse produto pode satisfazê-lo? Sem dúvida alguma os publicitários vão criar um apelo que envolverá sua vaidade, seu prestígio, suas necessidades afetivas e até sexuais. Depois de atraírem sua atenção e interesse, você é induzida psicologicamente a comprar ou preferir o produto “que todos estão usando”.
Como sentimos uma grande necessidade de pertencer ao grupo, gastamos o dinheiro de um mês de trabalho em um jeans ou um tênis que tem aquela marca famosa; perdemos horas de sono pensando em como adquirir um carro do ano; fazemos até empréstimo para sermos sócias daquele clube.
O problema é que não nos apercebemos que estamos simplesmente sendo massa de manobra de grandes interesses financeiros, e quando nos damos conta estamos à beira do abismo do consumo e do endividamento. Nos deixamos envolver e depois amargamos as contas durante toda a vida.
Algumas dicas:
1. Gaste menos do que recebe. Talvez você possa poupar um pouco para fazer uma viagem com a família.
2. Não compre nada que não esteja precisando, mesmo se estiver barato. Não caia na tentação. O Pai celeste vai suprir as suas necessidades no futuro.
3. Evite o cheque pré-datado. Não empurre para o futuro o que você não sabe se vai poder pagar.
4. Cuidado com as facilidades do cartão de crédito.
5. Identifique a diferença entre o eu preciso e o eu quero. Analise com cuidado os seus desejos. Você não será menos feliz por não satisfazer todos os seus desejos. Este pode, inclusive, ser um bom momento para desenvolver um aspecto do caráter cristão: domínio próprio.
6. Organize a sua vida financeira.
7. Aplique os princípios bíblicos do dízimo. Pode ser um testemunho poderoso junto àqueles que amamos e não conhecem a fidelidade de Deus.

Quais os princípios bíblicos para o dinheiro?

Se olharmos pelo mesmo prisma de Deus, acharemos o caminho certo para dominar nossos impulsos consumistas e direcionar nossos ganhos (salários e lucros) para o nosso conforto e do próximo.
Em primeiro lugar, é necessário desintoxicar-se dessa droga que entorpece as nossas emoções e troca os nossos valores: a mídia. Estamos confundindo bem-estar, segurança e prestígio com dinheiro.
Precisamos compreender que a nossa verdadeira realização não está no que temos ou podemos ter, mas sim na satisfação de nossas necessidades psicológicas e espirituais e, também, no nosso próximo.
Não conseguiremos depositar o nosso fardo e encontrar descanso para as nossas almas enquanto estivermos com os nossos valores sintonizados no canal errado; não ouviremos a voz do Mestre e acharemos que o “buscai primeiro o reino de Deus” é para aqueles que não batalham.
Em segundo lugar, é necessário que você se entregue àquele que o atrai com cordas de amor, que tira o peso que está sobre você e lhe dá o mantimento (Os 11.4). Lance sobre ele a sua ansiedade, porque ele tem cuidado de você (1Pe 5.7). Apenas Jesus Cristo, que venceu Satanás na cruz, diante de todos os reinos que lhe oferecia, pode lavar a nossa alma, desenvolvendo em nós um caráter firme, paz de espírito, senso de realização e de propósito.
Com Jesus no coração será difícil cair na teia do consumismo e você achará descanso em seguir uma nova forma de vida: “dai e dar-se-vos-á” (Lc 6.38). Esta é a forma de cultivar valores corretos em relação ao dinheiro, que é bênção, e o segredo para o nosso salário não cair em ”bolso furado”, para que a política econômica do governo não lhe tire os últimos centavos da suada poupança, para que a doença não consuma com os seus sonhos.
Em Malaquias 3.10,11 lemos: “Trazei todos os dízimos à casa do tesouro… e fazei prova de mim… e por vossa causa repreenderei o devorador.” Se formos fiéis à lei do “nosso governo” (somos estrangeiros em terra estranha), Satanás não poderá tocar naquilo que Deus tem nos dado.
Há em nosso meio um povo que não recebeu herança no meio de seus irmãos: no passado eram chamados de levitas. Eles devem cuidar da música, dos holocaustos e do serviço da congregação. Todos os dízimos serão seus pelos serviços que prestam à congregação (Nm 18.21). Há, também, outros que não estão em nosso meio. Pessoas corajosas, vocacionadas a descer em profundas e escuras covas para levar luz aos que perecem; que correm imensas distâncias anunciando a mensagem do descanso; que sobem ao cume dos montes para fincar a bandeira do príncipe da paz. São chamados para ir a lugares que jamais pisaríamos, que não teríamos coragem. É deles a sua oferta de amor.
Aí, então, minha amiga, você verá a janela do céu se abrir e derramar uma bênção tal, que dela se encham as suas despensas até transbordar.
Aquela sensação de dever cumprido para com Deus, consigo mesma e com o seu semelhante lhe dará uma nova perspectiva de administrar com sabedoria o que lhe foi entregue.
“Agrada-te do Senhor, e ele te concederá o que deseja o seu coração”
(Sl 37.4).

                                                                                                                                                            Gina Elizabeth Bego de Alberti
                                                                                                                                                                      Professora e escritora (PR)

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