Feed
Posts

Carência afetiva

Infelizmente vivemos dias de pouca afetividade entre as pessoas. O excesso de trabalho, as decepções, a correria, o egoísmo, a indiferença e o conformismo têm sufocado sentimentos importantes e necessários para um bom relacionamento humano.

Com isso, cresce a solidão, a carência e a distância entre as pessoas. As preocupações, as tristezas e as dores do outro são problemas dele mesmo – é assim que muitos pensam e agem. Demonstrar amor e empatia pelo outro não é importante. Por causa disso as pessoas estão cada vez mais carentes.

Para compensar esta deficiência dedicam-se ao trabalho, à religião, às atividades físicas, ao lazer, ao consumismo e à internet através de salas de bate-papo e sites de relacionamentos. Enganam a si mesmas e aos outros.

Até que haja uma real conscientização do ser humano de que a solução para esta situação está dentro
de cada e a partir daí esteja determinado a mudar a sua própria história, outras investidas serão desnecessárias e não produziram o resultado que esperam.

A primeira coisa a fazer é amar a Deus. Está escrito: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento” (Mt 22.37). “Deleita-te também no Senhor, e ele te concederá o que deseja o teu coração” (Sl 37.4).

A segunda coisa a fazer é amar a si mesma. O amor próprio é resultado da valorização pessoal, do desenvolvimento da autoaceitação e melhoramento da  auto-estima. Isto acontece quando apreciamos nossas qualificações e talentos pessoais; quando consideramos nossas idéias e valores; quando nos dedicamos a um trabalho produtivo e útil; quando investimos nos prazeres sadios da vida; quando realçamos as coisas que admiramos em nós mesmas.

A terceira coisa a fazer é amar ao próximo, isto é, fazer alguma coisa no sentido de abençoar as pessoas. Por que não tomar a iniciativa de buscar os que estão se distanciando? Por que não resgatar os laços familiares?
Por que não dar novo impulso às amizades? Por que não tratar melhor as pessoas no dia-a-dia? Por que não fazer com o próximo o que gostaríamos que fizessem conosco? Jesus disse: “Portanto, tudo o que vos quereis que
os homens vos façam, fazei-lho também vós” (Mt 7.12). Você quer um abraço? Abrace. Quer um sorriso? Sorria. Quer receber um e-mail? Envie. Quer atenção? Seja atenciosa. Quer ajuda? Ajude. Você quer ser amada? Ame.

Certamente sentirá a diferença. Começará dentro de você. Talvez não funcione imediatamente na vida do próximo. Talvez nem funcione, mas é fundamental firmar esse propósito no coração para o próprio bem-estar e dos outros também. Além do mais, é muito importante para Deus que seja assim. Está escrito: “Assim resplandeça a
vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus” (Mt 5.16).

Nós amamos a Deus porque Ele nos amou primeiro. Ele tomou a iniciativa. Faça o mesmo. Seja você a primeira a sorrir, a primeira a acenar, a primeira a estender a mão, a primeira a dizer bom-dia, a primeira a demonstrar
atenção, afeto e consideração. Enfim, comece você a amenizar a carência afetiva que insiste em machucar o coração do outro.

Li algo maravilhoso e quero compartilhar, pois sei que falará ao seu coração. É uma poesia de Myrtes Mathias, intitulada “Posso fazer feliz”:

“Descubro, Senhor,
que posso fazer outros felizes
e que isto me faz feliz também.
Acabo de descobrir, extasiada,
a verdade simples,
tão antiga quanto a história da própria humanidade:
são os pequenos atos do dia-a-dia
que constroem o presente e o futuro.
Afi nal, só Tu sabes se chegarei a escrever
o livro que desejo,
a erguer a catedral dos meus sonhos,
a realizar a obra que julgo de real valor.
E pensar que cheguei até aqui fazendo planos,
economizando “talento, energia e coração”,
para empregá-los em algo grandioso.
Quantos sorrisos deixei de oferecer?
Quantos hinos de louvor deixaram de ser
elevados até o teu trono porque meus lábios
não se abriram para entregar a mensagem que
salva; porque minhas mãos não se estenderam
para, em teu nome e por amor de Ti,
realizarem um ato de amor?
Louvado sejas, Senhor, porque me tocaste
agora e murmuraste “Efatá”,
abrindo-me os ouvidos para o clamor do meu
próximo, descerrando-me os lábios para falar
livremente, agir como crente,
mostrando a toda a gente o teu poder.
É maravilhoso descobrir que basta apenas
colocar um pouco de ternura na voz,
de doçura no gesto, de compreensão no olhar,
para que meu próximo se sinta feliz,
para que mais uma prece de ação de
graças chegue ao teu altar.”

Símile Toxte

Deixe uma mensagem

Spam Protection by WP-SpamFree