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simpatias

As simpatias são largamente utilizadas pelo povo brasileiro e difundidas como inofensivas tradições folclóricas. Mas será que são realmente inofensivas? Que poderes envolvem? Que perigos escondem? Quais os reais limites entre a fé e a superstição? O uso de palavras bíblicas santifica essa prática? Há alguma relação entre a simpatia e a bruxaria? É vital responder a estas perguntas. Pessoas que jamais se envolveriam com algum tipo de ocultismo e nunca entrariam em um terreiro de macumba ou de candomblé tornam-se, ingenuamente ou não, vítimas das maldições inerentes a este tipo de prática. A inocência não serve de escudo.

Definindo simpatia

O que é simpatia? O dicionário Aurélio define o termo, entre outras coisas, como “ritual posto em prática, ou objeto supersticiosamente usado, para prevenir ou curar uma enfermidade ou mal-estar”. Mas esta explicação é muito branda. A definição dada em um determinado site é outra bem diferente: “Simpatia é a maneira ritual de forçar poderes ocultos a satisfazerem a nossa vontade”.

Este conceito é exato e correto, uma vez que não são as meras palavras, atos, rituais e objetos que realizam o desejo de quem faz uso de simpatias, mas, sim, os poderes nela invocados. Não são as gotas de azeite, os pingos de vela, o pano vermelho e outros os verdadeiros objetos da fé. Os que se utilizam dessas coisas colocam sua fé em entidades indefinidas ou em algum santo católico, como Santo Antônio, Santo Expedito e São Jorge, muito comuns em simpatias.

Isso significa que, mesmo sem intenção ou involuntariamente, procura-se criar algum vínculo com o mundo espiritual e manipulá-lo de forma a atender os desejos pessoais. A grande questão é: quem está por trás da magia da simpatia?

Brincando com o inimigo

Neste mundo pragmático em que vivemos, o que as pessoas geralmente querem saber é: Funciona? O site responsável pela definição acima diz que “a simpatia tem grande prestígio, dada a psicologia do povo, que quer resultados imediatos, sem tratamento e sem trabalho, trazidos pelas escamoteações da mágica. Em suma, o milagre”.

Embora a única preocupação do praticante seja obter resultado imediato, ele, porém, não se detém para questionar qual o poder por trás das simpatias. Claro que a maioria não funciona e o aparente efeito de algumas não passa de coincidência ou auto-sugestão. Mas quando se trata de um “milagre” real, os envolvidos não questionam o autor do suposto milagre nem sequer cogitam se esses “poderes ocultos” têm alguma ligação com os espíritos malignos.

A Bíblia relata que quando Moisés foi enviado por Deus ao Egito, para falar a faraó acerca da libertação do povo hebreu, lançou sua vara ao chão e Deus a transformou em cobra. Entretanto, os magos egípcios fizeram o mesmo (Ex 7.10-12). Os milagres foram iguais, mas a fonte deles era antagônica. Moisés invocava ao Deus verdadeiro e os outros cultuavam falsos deuses e espíritos malignos.

Entendemos com isso que a despreocupação com a “fonte de origem dos milagres” deixa a porta aberta para a atuação do Diabo. A Palavra de Deus esclarece sobre os prodígios operados por ele: “A vinda desse iníquo é segundo a eficácia de Satanás, com todo poder, e sinais e prodígios da mentira, e com todo engano da injustiça para os que perecem. Perecem porque não receberam o amor da verdade para se salvarem” (2Ts 2.9,10).

Fé e superstição

amuleto

“De sorte que a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus” (Rm 10.17). Logo, a fé bíblica, a fé verdadeiramente cristã, é uma conseqüência de se ouvir e aceitar a Palavra de Deus. A superstição, elemento essencial das simpatias, não tem seu fundamento nas Escrituras Sagradas, se é que possui algum fundamento. As pessoas que se envolvem com simpatias o fazem pela indicação de outros e não se preocupam em analisar os poderes ocultos que se escondem por trás de tais práticas.

Até mesmo o uso de objetos, palavras e atos narrados na Bíblia podem se degenerar em superstição. Embora a Palavra de Deus se utilize desses elementos, eles só têm valor quando baseados na fé: “Tudo o que não é por fé, é pecado” (Rm 14.23).

É importante fazer distinção entre as narrações bíblicas e os princípios bíblicos. Quando Deus ordenou ao povo de Israel que desse voltas ao redor dos muros de Jericó e tocasse trombetas para que os muros caíssem (Josué 6), não estava ensinando um ritual para “como derrubar muros”. A Bíblia é explícita ao dizer que “pela fé caíram os muros de Jericó” (Hebreu 11.30) e não pelo simples fato de serem rodeados. Houve uma ordem específica de Deus e uma obediência em fé correspondente, então Deus operou. A vitória veio de Deus, pela fé, e não porque aquele era um ritual mágico.

Da mesma forma, o fato de Jesus ter cuspido na terra, feito lodo, passado nos olhos de um cego e depois mandá-lo lavar-se no tanque de Siloé não significa que Jesus estava ensinando um ritual para curar cegos (João 9.11). Aquele foi um milagre produzido pelo poder de Cristo, mediante a fé. Jesus não estava ensinando os passos a serem seguidos pelos que buscam a cura para a cegueira. A Bíblia não está ensinando um ritual, mas narrando um acontecimento.

É importante também mencionar a questão da repetição de palavras, pois geralmente é o que acontece nas simpatias. Jesus condenou a prática das chamadas “rezas”, quando disse: “E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que por muito falarem serão ouvidos. Não vos assemelheis, pois, a eles…” (Mt 6.7,8). Embora no dicionário as palavras oração e reza sejam sinônimas, na prática, porém, as rezas tornaram-se fórmulas mágicas, com poder em si mesmas. No sentido bíblico não representam nenhuma manifestação de fé.

É bom ratificar que, biblicamente, fé significa confiar, crer em Deus e em Cristo (João 14.1). Os cristãos oram e tomam atitudes confiando nas promessas divinas e não em meras palavras e atos. Os praticantes da simpatia não agem de acordo com a orientação divina.

O nome de Deus em vão

Você já ouviu simpatias do tipo “leia os Salmos 37 e 38 três vezes ao dia, durante três dias. No quarto dia publique o texto num jornal e veja o que acontece. Faça dois pedidos difíceis e um impossível”.

Tem-se popularizado o uso de Salmos e até mesmo do nome de Jesus em simpatia para a resolução de problemas. Todos os dias os jornais trazem uma coluna de agradecimento ou de recomendação de pessoas que aconselham os leitores a usar o “salmo tal” ou a “palavra tal” para resolverem seus problemas e alcançarem alguma coisa. Está escrito: “Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão; porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão” (Ex 20.7).

Alguns pensam que Deus valida a simpatia quando há citações bíblicas, mas a verdade é o oposto. As pessoas estão, de fato, querendo manipular Deus por meio de palavras e ritos, quando a Bíblia ensina que isto é abominável aos seus olhos.

Nós, cristãos, mais do que ninguém, reconhecemos o poder da Palavra de Deus, mas este poder só é válido quando tomamos toda a Bíblia como regra de fé e conduta. Ela perde a sua eficácia quando extraímos trechos isolados e os usamos com um ritual; quando escrevemos um salmo ou outro texto qualquer das Escrituras e os usamos como talismã. Salmos 91 é Palavra de Deus, mas é preciso crer e aplicá-lo na vida para alcançar os resultados desejados. O papel onde o salmo está impresso não é um talismã para ser colocado atrás da porta, visando proteger de espíritos malignos.

É preciso muito cuidado para que a nossa fé não se deteriore em superstição e idolatria. Lemos em Números 21.4-9 que Deus ordenou a Moisés que fizesse uma serpente de bronze e a colocasse sobre uma haste. Todos os israelitas que olhassem para ela seriam curados, e assim aconteceu. Todavia, com o passar dos dias, em vez de colocar sua fé no Deus que os curava ao olharem para a serpente de bronze, o povo de Israel colocou a sua confiança na própria serpente e passou a adorá-la e a oferecer-lhe incenso. Substituíram Deus por um dos instrumentos que Ele usou para abençoá-los. Por isso o rei Ezequias ordenou sua destruição: “Ele tirou os altos, quebrou as estátuas, deitou abaixo os bosques, e fez em pedaços a serpente de metal que Moisés fizera; porquanto até àquele dia os filhos de Israel lhe queimavam incenso, e lhe chamaram Neustã” (2Rs 18.4).

Feitiçaria caseira

“A bruxaria está na moda e é possível encontrar cada vez mais adeptos em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Belo Horizonte. Suas fileiras exibem advogados, contadores e engenheiros [...] As feiticeiras modernas não gostam de ser chamadas de bruxas. Preferem o termo medieval wicca (pronuncia-se uíca), que deu origem a witch (bruxa em inglês). A palavra vem do alemão arcaico, wic, que significa dobrar, porque a mágica teria função de mudar ou ‘dobrar’ os acontecimentos”. Mas, como diz Eddie Van Feu, em seu livro Wicca – Rituais: “A verdade é que wicca é só um termo mais bonitinho para bruxaria”.

Os que consideram exagero comparar simpatia com feitiçaria fariam bem em atentar para este assunto. Observe os rituais ensinados no mesmo livro sobre wicca:

Para proteger seu lar – “Deixe romãs abertas na janela da casa para trazer paz e harmonia para a sua família”, ou “faça uma cruz com dois pedaços de canela em pau e coloque-a escondida atrás da porta .”

Para ter amor – “Guarde uma rosa ou um amor-perfeito dentro de seu livro de poesia ou do seu romance favorito. Tenha-o sempre à cabeceira, pois este é um poderoso talismã”.

Perguntamos: Qual é, então, a diferença entre simpatia e bruxaria? Ambas se apóiam em rituais, objetos e palavras para alcançar seus objetivos. Ambas utilizam elementos cristãos. Ambas definem vagamente os poderes envolvidos na realização de seus “encantamentos”. Em outras palavras, são usados apenas termos diferentes em relação ao mesmo tipo de prática. As forças malignas utilizadas pelos bruxos na História Antiga e Medieval continuam sendo acionadas por meio das chamadas “simpatias”. O sincretismo cristão encobriu essa realidade, mas não pode mudar a essência do que realmente envolve essas práticas.

Os historiadores são unânimes em admitir que o catolicismo português trazido para o Brasil era fortemente influenciado pela bruxaria européia. Como resultado as mesmas práticas continuam sendo realizadas “camufladamente”. Logo, simpatias nada mais são do que bruxarias caseiras, efetuadas por pessoas que apenas querem os resultados desejados e estão dispostas a fazer qualquer coisa para alcançá-los.

Livrando-se da simpatia

“Andamos por fé, e não por vista” (2Co 5.7). Este é o fundamento da fé evangélica e bíblica. Quando o relacionamento diário com Deus se baseia em objetos, fórmulas, rituais ou palavras previamente estabelecidas, então ocorre um afastamento. Não importa o número de “graças” alcançadas através das simpatias, isto não prova que foram realizadas por Deus. O Novo Testamento rejeita completamente o uso de tais subterfúgios para se alcançar a resposta divina, e o Velho Testamento só o faz quando é orientado por Deus e, mesmo assim, como símbolos espirituais de Cristo.

Jovem, não se deixe enganar. Mexer com simpatia é mexer com o oculto e todo benefício que resultar disso é aparente. “Bem-aventurado o varão que não anda segundo o conselho dos ímpios (receitas de simpatia e magia), (…) Antes tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite. Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto na estação própria, e cujas folhas não caem; e tudo quanto fizer prosperará” (Sl 1.1-3).

Lidio Hamon
FOnte: Instituto Cristão de Pesquisas

Comentário para “Simpatias – Feitiçarias caseiras”

  1. michele disse:

    meu marido se trasformou em outra pessoa de repente ,eu acho que tem alguma simpatia ,nos estamos tudo bem mudou de repente ,que vocês acha .

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