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Publicado em 8 março, 2013, por em Artigos.

Em uma formatura, quando 17 homens e 52 mulheres graduaram-se em Direito, alguém afirmou:  esse é o século das mulheres! São elas que vão ocupar os tribunais, os cargos de chefia, o comando da  sociedade, enaltecendo o grande número de mulheres que estava concluindo seu curso superior.

As estatísticas mostram que em quase todos os países as meninas brilham mais nos estudos que os meninos e, ainda, que as mulheres lêem mais que os homens.  Nos Estados Unidos, a proporção de homens com nível universitário passou de 16%, em 1970, para 28%, em 1998, enquanto entre as mulheres o salto foi de 11% para 29%. No Brasil, as mulheres também superam os  homens – 53% a 51,3%.

Representando metade da população do mundo, a mulher de hoje é mais confiante, capaz e ocupa 45% da força produtiva de trabalho,  construindo uma nova realidade. Exerce influência nos segmentos religioso, empresarial e profissional. Atua na área das ciências exatas, da política, dos negócios, da comunicação, do esporte. Hoje a mulher comanda nave espacial, preside parlamento, cuida da segurança de aeroportos, entre tantas outras profissões, antes só ocupadas por homens.

Mas, nem sempre foi assim! Foi preciso que mulheres do passado se organizassem e reivindicassem seus direitos.

Com a revolução industrial, na segunda metade do século XVIII, a mão de obra feminina inseriu-se nas indústrias. E a mulher “passou a ser obrigada a conviver com jornadas de trabalho que chegavam a até 17 horas diárias, em condições insalubres, submetidas a espancamentos e ameaças sexuais constantes, além de receber salários que chegavam a ser 60% menores do que o dos homens”.

Essa discriminação das mulheres começou a gerar manifestações as mais diversas. Foi durante um desses movimentos que 129 tecelãs da fábrica de tecidos Cotton, em Nova York, cruzaram os braços, reivindicando uma jornada de 10 horas. Não atendidas, refugiaram-se nas dependências da fábrica, resistindo à ação da polícia. Os patrões, descontentes com a atitude das mulheres, trancaram as portas e atearam fogo na fábrica e todas as mulheres morreram queimadas. Isso se deu em 8 de março de 1857.

Em 1910, durante a II Conferência Internacional da Mulher, na Dinamarca, Clara Zetkin, ativista pelos direitos femininos, propôs que 8 de março
fosse declarado como Dia Internacional da Mulher, homenageando as tecelãs de Nova York.

No Brasil, a luta das mulheres pela igualdade de direitos é mais recente. O direito de voto data de 1932 e a admissão no mercado de trabalho dos anos 50, no governo de Getúlio Vargas. Também, para reivindicar direitos de redução de jornada e salários justos, as trabalhadoras têxteis deram início a uma greve geral em 30 de abril de 1917. Mais tarde, reconhecido como o Dia Nacional da Mulher.

As mulheres se movimentaram, ainda, nas campanhas pela anistia política, contra a carestia, pelas liberdades democráticas, por trabalhos, creches, planejamento familiar e contra a violência, e têm alcançado suas conquistas.

A instituição do Dia Internacional e Nacional da mulher surgiu de manifestações sociais-políticas de mulheres que buscavam valorização no mercado de trabalho, preocupadas com seus direitos sociais, em sua maioria. Comemorar esse dia, no entanto, não deixa de ser oportunidade para a reflexão sobre o valor que Cristo deu à mulher e para oração em favor de mulheres no mundo, muitas delas ainda subjugadas a imposições de práticas que massacram e tiram a dignidade da mulher como pessoa, provocando desgaste moral.

Em alguns países africanos, apesar da existência de uma legislação que a proíbe, ainda é forte a prática da mutilação genital feminina – um hábito
tradicional em que os órgãos femininos são cortados, amputados e, muitas vezes, costurados de maneira a ficarem fechados. Falando em uma conferência, uma mulher de 40 anos dá seu depoimento: “Aos dez anos de idade meus órgãos genitais foram decepados com uma faca cega.”

Sem direito a escolha de sua própria religião ou de seus esposos, as mulheres devem receber em suas casas a segunda, terceira e até a quarta esposa de seu marido, sem o direito de protestar. “Para ser uma verdadeira esposa, precisa primeiro se submeter ao marido, servindo-o todo o tempo, desde a hora que chega do trabalho até a hora de dormir”.

A maior luta da mulher, em todo o mundo, no entanto, é contra a violência familiar, que traz consequências devastadoras para as futuras gerações. As estatísticas mostram que as mulheres estão mais infelizes no casamento que o homem. Um índice de 54% de mulheres, contra 46% de homens. Não  podemos falar em democracia nem justiça social enquanto não houver condições igualitárias para o pleno desenvolvimento da mulher e a garantia de uma qualidade de vida saudável no relacionamento conjugal e sua relação com os filhos, afirma o jornalista Josias
Lancour e, acrescenta, a igreja é um caminho.

Através dela e de sua preocupação constante com a harmonia no lar, uma consciência está se formando no sentido de se tratar a mulher com a dignidade que ela merece.

A mulher cristã tem uma trajetória de conquistas desde o tempo do Novo Testamento, quando serviam a Jesus com seus bens e estavam presentes em todo o seu ministério, sendo as primeiras testemunhas da sua ressurreição. Hoje, a mulher tem ainda maiores oportunidades frente aos desafios que a cercam. A mesma graça que alcança homens, alcança mulheres e crianças, desde que decidam seguir a Jesus e fazer sua vontade.

A mulher cristã tem nesse início de milênio uma página de serviço para o reino que representa o seu amor, dedicação e interesse pela obra, principalmente a da evangelização, incentivada que é a colocar sua ação e sua influência como sal que dá sabor, luz que reflete Cristo e perfume que dá fragrância e transforma o ambiente. “Vós sois o sal da terra… Vós sois a luz do mundo” (Mateus 5.13,14).

Elza Sant’Anna do Valle Andrade
Diretora-editora da UFMBB