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Voz e contraceptivos hormonais
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A voz é o resultado da sonorização do ar proveniente dos pulmões produzindo na laringe uma vibração das pregas vocais. Ela expressa as condições físicas e emocionais do indivíduo. A harmonia entre a atividade muscular e o fluxo aéreo faz com que a produção da voz seja eufônica – som de boa qualidade para o ouvinte e conforto para o falante. Além disso, tem um papel muito importante na comunicação, pois é por intermédio dela que podemos identificar idade, sexo, regionalismos e emoções do falantes.


Alguns fatores podem alterar a voz, como o uso inadequado, demanda excessiva, personalidade, emoção, estresse, além de fatores orgânicos, como constituição anatômica, inervação e hormônios.
A cada ano as mulheres vêm ganhando espaço no mundo moderno, tornando-se cada vez mais independentes e promissoras nas esferas social, familiar e profissional. Paralelo a essa conquista está o aumento dos diversos recursos contraceptivos, seja para planejamento familiar, regulação hormonal, redução de oleosidade da pele ou controle de alguns problemas de saúde.
As pílulas anticoncepcionais são comprimidos feitos com substâncias químicas semelhantes aos hormônios encontrados no corpo da mulher, e quando ingeridas impedem a ovulação, evitando assim, a gravidez.  Foram criadas no final da década de 60, revolucionando os métodos de contracepção e tornando-os cada vez mais seguros. Desde então, tem sido um dos métodos contraceptivos mais utilizados em todo o mundo, principalmente entre as mulheres jovens, por ser considerado reversível, muito eficaz e o mais efetivo dentre as medidas medicamentosas.

No entanto, estudos contemporâneos têm se destacado com resultados que confirmam a alteração vocal durante o ciclo menstrual. A voz feminina sofre mensalmente a interferência dos hormônios.
A voz se desenvolve sob a influência das variações de estrógeno, progesterona e testosterona. Os mais profundos efeitos hormonais são fisiológicos e ocorrem durante a puberdade, período no qual ocorrem alterações nas dimensões laríngeas, que provocam o abaixamento da freqüência fundamental (F0) da voz masculina em aproximadamente uma oitava e da feminina em algumas notas, estas pela ação do estrógeno associado à progesterona. 
Durante o período pré-menstrual é comum a ocorrência de alteração da voz e são poucas as mulheres que a percebem. Essa alteração, quando percebida, geralmente aparece de quatro a cinco dias antes do fluxo menstrual e, sobrevindo a menstruação, há um alívio dos sintomas, num período compreendido entre 24 a 48 horas após seu início, devolvendo à mulher o domínio sobre sua voz.

Os índices de edema em pregas vocais no período pré-menstrual relatados na literatura chegam a 92%, sendo atribuídos à retenção hídrica por ação da progesterona provocando flacidez da parede venosa (Nogueira e Silva, 2000).
A maioria dos efeitos vocais é visto no período pré-menstrual e são conhecidos como “laringopatia pré-menstrual”, ocasionando diminuição da eficiência vocal, perda das notas mais altas, fadiga, rouquidão leve e voz abafada (Sataloff, 1991).
“A voz humana é sensível às variações do sistema endócrino. Durante muitas décadas, as manifestações vocais oriundas de processo de regulação hormonal, fisiológicos ou alterados foram desconsideradas” (Behlau, 2005).
Atualmente, porém, são notórios os efeitos da atuação fonoaudiológica. Ela pode ser muito útil na redução de alterações nos processos fisiológicos como, por exemplo, na menstruação e na menopausa, tornando a voz mais estável com uma tessitura mais ampliada.
(Trechos retirados da tese de conclusão de curso de Sandra P. Felix)

Fonoaudióloga Sandra Pereira Felix

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