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Mãos + agulha e linha = missões
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“[...] mostrando-lhe as túnicas e vestidos que Dorcas fizera [...]” (At 9.39)

Dorcas não era uma mulher particularmente interessante. A única coisa que sabia fazer bem era costurar, e quem é que consideraria isso uma coisa notável? Muitas mulheres podiam fazer outro tanto.
Dorcas era uma mulher de um só talento (Mt 25.14-29) e o mesmo era insignificante. Teria sido natural que ela pensasse: “Não sou profetiza como Miriã, e não posso governar um país como Débora. Não sou uma mulher capaz de desempenhar um papel relevante na história do meu país. Não pertenço à categoria das mulheres talentosas”.
Parece que o casamento e a maternidade também a tinham deixado de lado. Contudo, há uma coisa em que Dorcas ultrapassara todas as mulheres da Bíblia: ela é a única chamada discípula! Dorcas era uma discípula, uma seguidora de Jesus, e isso fazia toda a diferença. Ela abriu o seu coração a Jesus antes de segui-lo. Ele tornou-se o seu Salvador, antes de ser o seu Senhor. E embora ela o tivesse recebido como Redentor não se contentou com isso. A fé é mais do que simples comunhão com Deus. A discípula usou-a para servir os outros – a verdadeira fé se expressa em obras. Aquele que segue a Cristo é movido na direção das pessoas, exatamente como o Senhor Jesus era. Torna-se criativo e quer fazer todo o possível para dar a sua vida o máximo significado. Portanto, a discípula Dorcas fez o que brotava naturalmente dela. Costurou, especialmente para as viúvas pobres. Aplicou toda a sua capacidade nesse trabalho.
Jope – agora Jafa –, um ponto que fica no Mar Mediterrâneo, deve ter tido uma grande quantidade de viúvas. Durante os maus tempos sobre o mar, muitos pescadores naufragavam e afogavam-se. Essas mulheres haviam perdido não só os maridos, mas a fonte de receita. Não havia qualquer seguro social naqueles tempos, entretanto, o Eterno havia estabelecido ao Seu povo que cuidasse das viúvas e dos órfãos (Ex 22.22-24; Dt 10.17,18). Se obedientes às ordens de Deus as viúvas não passariam privações básicas e o povo desfrutaria da alegria e bênçãos abundantes da recompensa que Deus lhes havia garantido (Dt 14.29 e 24.19).

O Eterno tinha prometido ser o guardião das viúvas. Elas teriam cuidado e proteção especiais da sua parte. Sendo uma discípula Dorcas sabia o que dava prazer ao seu Senhor, ou seja, cuidar daquele grupo de pessoas em que Cristo estava particularmente interessado. Portanto, ela não executava o seu trabalho com indiferença. Não era simplesmente um passatempo. Fazia-o de todo o coração, porque amava a Deus. Quando Jesus transformou o seu coração Dorcas tornou-se uma mulher livre. Ele auto definiu-se como a Verdade (Jo 14.6). Mais tarde, afirmou que aqueles que eram libertos por Ele ficavam verdadeiramente livres (Jo 8.32, 36). Dorcas agia nessa base de liberdade.

A Bíblia nos faz pensar que Dorcas era solteira, mas não parece que ela tenha se sentido frustrada por sentimentos de inferioridade. Não tinha qualquer desejo de competir em importância com as mulheres casadas, ao seu redor. Não tinha qualquer constrangimento diante das mulheres que possuíam seus filhos.
Dorcas tornou-se uma mulher que estava muito além da sua época. Sentiu-se tão plenamente realizada na vida trabalhando sozinha, que foi única em relação ao tempo que viveu.
Muitas viúvas de Jope andavam por ali vestidas com roupas produzidas por Dorcas. Esta mulher que estava só na vida era muito capaz de dar apoio moral e espiritual às viúvas. Entendia as mulheres solitárias e podia conversar com elas. Utilizava seu potencial e assim tornou-se uma pessoa de importância na igreja local. Até que ocorreu a tragédia: Dorcas adoeceu e morreu.
É muito comum dizerem coisas boas a respeito dos mortos. Todavia, neste caso, era perfeitamente evidente quanto sofriam os que ficavam com a perda daquela vida. O amor de Dorcas tinha despertado também neles um grande amor por ela. Que outra coisa se poderia esperar? Pedro, então, fez o que tinha visto fazer o Senhor Jesus numa situação semelhante (Mc 5.40-42). Pediu a todos que se retirassem do quarto, orou e trouxe de novo à vida o corpo de Dorcas através do poder de Deus.

A Bíblia registra sete casos de pessoas que foram ressuscitadas. Dorcas foi à única mulher adulta entre elas. A notícia da sua ressurreição tornou-se o assunto do dia em Jope. “Ouviram?” – perguntavam as pessoas umas para as outras – “Dorcas está viva de novo! Pedro orou e falou do poder de Jesus, chamado o Cristo”.
Aconteceu mais uma coisa notável. As pessoas reconheceram que Deus havia realizado um milagre, por isso glorificaram o próprio Deus, em vez de Dorcas ou Pedro. Através desses acontecimentos as pessoas reconheceram o vazio em suas próprias vidas, começaram a entender alguns valores reais da vida e desejaram crer no Senhor Jesus; queriam tornasse novas pessoas com uma nova perspectiva na vida.
“Que é isso na tua mão?” – havia perguntado o Senhor a Moisés há muito tempo (Ex 14.2-5). Ele respondeu: “Uma vara”. “Vai e trabalha com essa vara e será meu servo” – disse Deus.
“Se Deus tivesse feito a mesma pergunta a Dorcas, ela teria respondido: “Uma agulha e uma linha, Senhor”. Então, Jesus lhe diria que eram esses precisamente os instrumentos com que podia servi-Lo.

A vida, a morte e a ressurreição de Dorcas ajudaram a disseminar as boas novas e por isso Pedro não pôde deixar Jope durante algum tempo, porque era solicitado pelas pessoas que desejavam saber mais acerca da vida eterna e de Jesus Cristo, o Senhor.
Dorcas começou um movimento que se espalhou para além das fronteiras da sua cidade e do seu país. Através de uma agulha e uma linha tornou-se uma grande evangelista.
Quem poderá contar as inúmeras mulheres que foram influenciadas pela vida de Dorcas? O seu belo exemplo jamais se extinguirá.
É isso o máximo que qualquer discípulo pode desejar: ser como o seu Mestre, isso é, servir.


Pastor Francisco Carlos Côrtes Alves
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Igreja Evangélica Batista Água Verde
Curitiba, PR

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