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Promovendo a paz na família
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Promover a paz nas relações familiares pode ser um exercício difícil, longo. O que vemos nas manchetes dos jornais são filhos que não conseguem se entender com os pais e se refugiam nas drogas e alguns até matam os pais. Maridos e mulheres, que também não chegam a um acordo, não se suportam, não alcançam maturidade, diálogo, intimidade e acabam se separando. Irmãos que tinham tudo para serem amigos, companheiros, mas quase se matam se ficarem sozinhos. O cenário não é muito agradável e nos nossos próprios lares podem surgir conflitos insustentáveis. Existe alguma saída? Existe alguma forma de nós promovermos ações de paz dentro de nossos lares?

A Bíblia fala de paz em vários momentos. Alguns textos me chamam atenção como é o caso do de Colossenses, que nos fornece um ótimo manual de como promover a paz na família. E como qualquer manual, ele deve ser seguido à risca. Minha intenção neste artigo é mostrar uma direção bíblica para vivermos em paz.


1) Promovemos a paz através da nossa santificação

“Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de coração compassivo, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade, suportando-vos e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como o Senhor vos perdoou, assim fazei vós também” (Colossenses 3.12,13).

A preocupação de Paulo era com a Igreja, com a sociedade da época. Somente alguém que reconhece que é eleito de Deus, separado, que foi salvo por Jesus Cristo consegue perceber a jornada cristã que tem pela frente. Deus quer que andemos em novidade de vida, que nossas vidas deem frutos que permaneçam.

No caso da vida em família, todas essas qualidades, que na verdade são atributos divinos, benignidade, humildade, mansidão e longanimidade, devem estar na nossa prática cristã. Mas, às vezes, tememos ser passados para trás, ser enganados e queremos criar um muro em nossa volta, um muro de ressentimento para nos proteger do outro. E nos esquecemos de quem é que reina em nossas vidas. Quem está no controle? A quem confiamos nossas famílias?

Um primeiro passo para alcançarmos a paz é buscarmos a santificação. Sem santificação não existe paz, porque não existe a transformação necessária que o Espírito Santo realiza em nossas vidas. É no processo de santificação que nos afastamos das obras da carne (Gl 5.19-21) e nos aproximamos do fruto do Espírito (Gl 5.22,23). É o Espírito Santo quem nos convence de que devemos perdoar, precisamos dar outra chance ou, quem sabe, que temos que reconhecer nossos próprios erros. Alguns pais, por exemplo, preferem um filho a outro e isso gera graves problemas. Algumas esposas não conseguem parar de reclamar da vida e com isso cansam o marido com tantas lamentações, que ele não sente vontade de voltar para casa. Alguns maridos se esquecem de agradar suas esposas, de ouvi-las, porque o computador é mais importante.

Certamente, através da santificação, começamos a nos relacionar melhor com os nossos cônjuges, filhos, irmãos... Tudo isso faz parte do processo e não surge de uma hora para outra. Temos diante de nós o desafio de nos tornarmos santos porque o nosso Deus é santo e sem a santificação não o veremos. Quando um relacionamento entre filho e mãe, entre pai e filho, entre irmãos é restaurado, a primeira coisa que vemos é a mão de Deus, a prova da atuação do Espírito Santo.

 

2) Promovemos a paz através do amor

“E sobre tudo isto, revesti-vos do amor, que é o vínculo da perfeição. E a paz de Cristo, para qual fostes chamados em um corpo, domine em vossos corações; e sede agradecidos” (Colossenses 3.14,15).

Precisamos nos revestir, nos vestir, nos cobrir do amor. Amor bíblico, amor verdadeiro, prático, cheio de atitudes, de ações e não um amor de palavras, de língua (1João 3.18).

Uma pesquisadora do Rio de Janeiro estudou como alguns batistas vivem o amor cristão, ou seja, que tipo de teoria e prática sobre o amor é desenvolvido no meio batista. Ela ficou “apaixonada” porque disse nunca ter sido tão bem tratada e acolhida como na Igreja Batista. Nunca ouviu tantas pregações e hinos falando sobre o amor. Segundo ela, o mandamento cristão “ama o próximo como a ti mesmo” é interpretado pela família batista estudada não como um sentimento, mas como uma atitude de amar o outro e a si mesmo no que há de “eterno, impessoal e essencial”. Um amor “subjetivista”, só de palavras, representaria uma exaltação da “criatura” e não uma glorificação do “Criador”. Ela sugere que nós Batistas pregamos um “amor ético” que, além de expressar a glorificação de Deus, corresponde à santificação do crente que, imbuído do Espírito Santo, consegue transcender sua condição humana, aproximando-se do que denomina “eternidade provisória” e da certeza da salvação.

Segundo a pesquisa de Juliana Jabor, nós batistas entendemos que glorificamos a Deus quando amamos o próximo como a nós mesmos e nos santificamos através do amor... Neste sentido, o papel do Espírito Santo assume grande importância na prática do “amor ético”. Trata-se de um amor que não é um “sentimento”, mas uma atitude. É um reflexo do processo de santificação. E o que é ser santo? Ser diferente, separado, é ter a certeza de que a vida cristã gera frutos. Não servimos para ser salvos, mas somos salvos para servir, para andar em novidade de vida, enfim, para amar.

Além do amor, a paz de Cristo deve ser o árbitro, o juiz, é quem deve mandar em nossos corações. Como posso dormir tranquila se cometi uma injustiça enorme chamando meu filho de um monte de nomes feios que o machucaram ou se briguei com meu marido sem conversar, se não sei se estou certa ou errada? Como posso ter paz se sei que minha filha não está nada bem, trancada dentro de um quarto, não quer estudar, trabalhar, não tem vontade viver? Tem gente que finge que está tudo bem, que vive de aparências. Será que um cristão que busca a santidade, uma maior comunhão com Deus, empurra os problemas para debaixo do tapete?

Acho difícil existir um casal que não brigue, que não tenha uma discussão. Somos diferentes, educados de maneiras diferentes, pensamos diferentemente acerca das coisas. Às vezes, um quer sol e outro, chuva. Como conseguir ter paz? Somente através da paz de Cristo e do amor sincero, do amor atitude.

A paz de Cristo é realizada quando nós, a Igreja, conseguimos nos tornar aquilo que devemos ser. A paz deve dominar os nossos corações abrangendo toda a nossa vida.

 

3) Promovemos a paz por meio da palavra de Cristo

“A palavra de Cristo habite em vós ricamente, em toda sabedoria; ensinai-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, louvando a Deus com gratidão em vossos corações” (Colossenses 3.16).

A leitura da Bíblia é essencial para aprendermos a fazer a vontade de Deus e cumprir seus mandamentos. Muitos pais e mães, cansados com o trabalho que o cuidado dos filhos traz, não conseguem parar, reservar um tempo para dar graças, para louvar e engrandecer a Deus porque seus filhos são perfeitos, saudáveis. Muitas mulheres também se esquecem do tempo em que sonhavam com o casamento e não agradecem pelo marido que têm e vice-versa.

A vida passa tão depressa, às vezes, escorre por nossos dedos oportunidades de levantar as mãos para o céu e, finalmente, louvar. Existe um hino que amo muito e fala da paz que perdemos quando não deixamos Deus reinar em nossas vidas. Um trecho dele fala: “Em Jesus amigo temos, / Mais chegado que um irmão; / Ele manda que levemos tudo a Deus em oração / Oh! Que paz perdemos sempre, / Oh! Que dor no coração, / Só porque nós não levamos / Tudo a Deus em oração.”

 

E, finalmente...
Não existe paz na família se não existe santificação. Não existe paz sem amor, sem a paz de Cristo dominando em nossos corações. E não há paz se não houver louvor e gratidão a Deus por tudo o que Ele nos tem dado, pela família que Ele nos deu que pode até dar muito trabalho, mas a vida seria sem graça sem ela. Sua família é um presente de Deus, cuide dela com muito amor e paz.


Referências bibliográficas
JABOR, Juliana de Mello. Do amor ético: um estudo sobre pessoa e família entre batistas. Rio de Janeiro: UFRJ/MN/PPGAS, 2005.

Lídia Maria Teixeira Lima Coelho, RJ - Educadora

Visão Missionária 2T07

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