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Maternidade sem risco
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Dra. Eliane de Souza Hauch

Médica, membro da Primeira Igreja Batista de Vitória, ES

“Mulher virtuosa, quem a achará? O seu valor excede o de joias finas.”

Provérbios 31.10

 

A maternidade é uma bênção de Deus! É um privilégio da mulher.

Poder gerar dentro de si um ser, alimentando-o através do seu corpo, dando-lhe todo o seu afeto; poder sentir seu corpinho sendo transformado a cada mês, no sentido de abrigar em seu ventre seu futuro bebê, é realmente uma grande dádiva e é um privilégio só nosso, da mulher!

São nove meses, quarenta e duas semanas, duzentos e noventa e quatro dias de muita troca, de muita interação. Mas, para que nosso bebê chegue no momento certo e bem, devemos adotar algumas medidas básicas para que tenhamos uma gravidez bem-sucedida, isto é, uma maternidade sem risco.

Mulheres morrem durante a gravidez

Cerca de 500 mil mulheres morrem anualmente por problemas durante a gravidez, parto ou puerpério (período que decorre desde o parto até que os órgãos genitais e o estado geral da mulher voltem às condições anteriores à gestação). Quase todas essas mortes se dão em países em desenvolvimento. Enquanto na Europa a taxa de mortalidade materna é da ordem de 1 para 9.850 recém-nascidos vivos, na América do Sul é de 1 para 73.

No Brasil, a mortalidade materna é de 141/100.000 nascimentos vivos, bastante alta quando comparada com a de países desenvolvidos (6 e 7/100.000 no Canadá e nos Estados Unidos, respectivamente).

A maioria dessas mortes poderia ser evitada, se fossem proporcionadas às mulheres melhores condições socioeconômicas e ações de saúde que diminuíssem o risco de vida da gestante.

As principais causas de mortalidade materna no Brasil são hipertensão complicando a gravidez, parto e puerpério, hemorragias, aborto induzido ilegalmente e infecção puerperal.

A experiência de países mais desenvolvidos mostra que bons padrões de serviços obstétricos, combinados com serviços de aborto seguro e legal, reduzem significativamente a mortalidade materna.

Para reduzir a mortalidade materna são necessários acesso rápido a um serviço obstétrico de urgência, programas eficazes de planejamento familiar, maternidades de boa qualidade e uma assistência pré-natal adequada.

No entanto, sem a educação da mãe e da comunidade em geral, muitos dos esforços para a redução da mortalidade materna serão infrutíferos. Cabe a nós auxiliar na divulgação dos conhecimentos que venham a auxiliar essas mulheres.

Jovens adolescentes engravidam

Vemos um fenômeno dos tempos atuais: jovens adolescentes engravidando precocemente. Tanto a mãe quanto o filho podem levar uma vida satisfatória. A menina, todavia, acha-se envolta na busca de si mesma e de sua inserção na sociedade. A relação passada ou presente com o pai do seu filho pode ser imatura e se não se casam e vivem juntos, ela terá que lidar com os problemas de encontrar uma nova família.

Por outro lado, o recém-nascido tem as necessidades básicas de toda criança, inclusive a mais importante: uma mãe com habilidades maduras e apoio social.

Se os pais da moça em questão se unem para ajudar, tal como se espera, também rompem com suas funções evolutivas, voltando a um estilo de vida que pensavam já haver vencido há muito tempo. A estas alterações, se podem acrescentar outras e assim sucessivamente.

Engravidar antes dos 18 anos, ou depois dos 35, aumenta os riscos de saúde tanto para a mãe como para a criança

Mas, antes destes problemas vivenciais que focalizamos acima, do dia a dia da criança com sua mãe e avós, temos o risco, pois engravidar antes dos 18 anos, ou depois dos 35, aumenta os riscos de saúde tanto para a mãe como para a criança.

A cada ano, mais de meio milhão de mulheres morrem devido a problemas ligados à gestação e ao parto, deixando mais de um milhão de órfãos. A maioria dessas mortes poderia ser evitada pela aplicação dos conhecimentos atuais sobre a importância do planejamento familiar.

Por questões de saúde, nenhuma jovem deveria engravidar antes dos 18 anos. Uma mulher não está fisicamente madura para engravidar antes dessa idade. Bebês nascidos de mulheres com menos de 18 anos são mais propensos a nascer prematuramente e a pesar muito pouco. Têm mais chances de morrer durante o primeiro ano de vida. O risco para a saúde da própria mãe também é maior.

Toda jovem deveria ter tempo para se tornar mulher antes de se tornar mãe. Nas sociedades onde as jovens se casam muito cedo, os casais deveriam usar o planejamento familiar para adiar a primeira gravidez, até a mulher completar, no mínimo, 18 anos.

Depois dos 35 anos, o risco de complicações durante a gravidez e o parto aumenta novamente. Se uma mulher tem mais de 35 anos e já teve quatro ou mais gestações, uma nova gravidez é um sério risco para sua própria saúde e a de seu futuro bebê.

O risco de morte para os bebês aumenta em cerca de 50% se o intervalo entre os partos for menor que dois anos

Pelo bem da saúde da mãe e da criança, os pais devem esperar até que o filho mais novo tenha pelo menos dois anos de idade antes de ter outro bebê.

Uma das maiores ameaças à saúde e ao crescimento de uma criança com menos de dois anos de idade é o nascimento de outro bebê. O aleitamento é interrompido muito repentinamente (mas não há contraindicação se a mãe quiser continuar amamentando) e a mãe terá menos tempo para preparar a alimentação especial de que a criança pequena necessita.

Além disso, ela pode não conseguir dar à criança mais velha os cuidados e a atenção necessários, principalmente durante as doenças. Em consequência, o crescimento e o desenvolvimento adequados da criança ficam comprometidos.

O organismo da mãe necessita de dois anos para se recuperar totalmente da gravidez e do parto. Portanto, o risco para a saúde da mãe é maior se o parto for muito próximo do anterior. A mãe precisa de tempo para recuperar suas forças e suas energias antes de engravidar novamente.

Se a mulher engravida antes de estar completamente recuperada de um parto anterior, há grandes chances de seu bebê nascer prematuramente e com pouco peso. Bebês com baixo peso têm menos possibilidades de se desenvolver bem, mais probabilidades de adoecer e quatro vezes mais chances de morrer no primeiro ano de vida do que os bebês com peso normal.

Dar à luz a mais de quatro crianças aumenta o risco de saúde nos partos e gestações

Após uma mulher ter tido quatro filhos, uma nova gravidez traz grandes riscos para a vida e a saúde da mãe e da criança. Principalmente, se os partos anteriores não tiveram intervalos de mais de dois anos, o organismo de uma mulher pode facilmente chegar a exaustão, devido a várias gestações, partos, amamentação e cuidados com crianças pequenas. Uma nova gravidez geralmente significa que sua própria saúde começa a enfraquecer.

Depois de quatro partos, há um enorme risco de sérios problemas de saúde, como anemia e hemorragia (perda de grande quantidade de sangue). O risco de dar à luz crianças deficientes ou com baixo peso também aumenta depois de quatro partos e quando a mãe tem mais de 35 anos.

Cuidados

Os riscos do parto podem ser drasticamente reduzidos se a gestante procurar o agente de saúde para exames periódicos durante a gravidez.

É preciso acompanhar a evolução da gravidez, de modo que, caso haja a probabilidade de ocorrer algum problema, a futura mãe possa ser encaminhada a um hospital na hora do parto.

É preciso verificar, frequentemente, a elevação da pressão arterial, que pode representar algum risco para mãe e filho.

É preciso dar à mãe medicação para a prevenção da anemia.

É preciso dar à mãe as duas doses de vacina antitetânica, protegendo mãe e filho.

É preciso verificar se o bebê está crescendo adequadamente.

É preciso, quando necessário, dar medicação contra a malária.

É preciso preparar a mãe para a experiência do parto e aconselhá-la sobre amamentação e cuidados para com o recém-nascido.

Conselhos

Enjoos matinais

Náusea e vômito são problemas comuns no início da gravidez e ocorrem devido a mudanças hormonais. Não se preocupe, não causarão mal ao bebê, que continuará a receber toda a nutrição necessária.

Consulte seu médico antes de tomar remédios contra enjoo, pois eles podem passar através da placenta e prejudicar o bebê. Raramente os enjoos matinais são tão sérios a ponto de exigir internação hospitalar. A autoajuda inclui:

Procure fazer refeições mais leves e regulares.

Nas refeições, evite as comidas muito gordurosas.

Não fique períodos muito longos sem comer.

Tente comer uma torrada ou um biscoito água e sal antes de se levantar.

Se os vômitos lhe causam preocupações, vá ao médico. Este há de examiná-la para se certificar se os vômitos afetam o seu estado físico e verificar se a causa está em alguma infecção urinária. Um exame apenas para tranquilizá-la pode ser o suficiente para levá-la a não se importar com os sintomas até que eventualmente desapareçam. Se assim não acontecer, o médico poderá prescrever-lhe um medicamento antiemético.

Conclusão

A Bíblia nos fala que “toda mulher sábia edifica a sua casa; a insensata, porém, derruba-a com as suas mãos” (Pv 14.1). Ter filhos exige da mulher, sabedoria. Tim e Beverly LaHaye, em O Ato Conjugal, mostram-nos quatro razões para se ter filhos:

As crianças são um dom singular de criatividade humana

Marido e mulher têm a capacidade de produzir um ser eterno. Ter filhos é um mandamento de Deus: “Então Deus os abençoou e lhes disse Frutificai e multiplicai-vos; enchei a terra e sujeitai-a...” (Gn 1.28).

Os filhos são uma bênção para toda a vida

“Eis que os filhos são herança da parte do Senhor, e o fruto do ventre o seu galardão. Como flechas na mão dum homem valente, assim são os filhos da mocidade” (Sl 127.3,4).

Por vezes, os homens consideram os filhos como uma grande responsabilidade, um peso financeiro ou um acidente, mas a Bíblia os considera uma bênção.

Os filhos são uma prova tangível do amor do casal

Gerar filhos não é apenas um ato biológico. Somente a paternidade possibilita ao indivíduo enxergar alguns traços da pessoa amada ligados aos seus, em outro ser humano. Quando o casal se torna uma só carne, os dois unem seus genes, na maneira por Deus estipulada, e produzem uma pessoa de uma só carne, que é uma combinação dos dois.

Os filhos realizam um desígnio da nossa mente

É natural ao homem casar, gerar filhos e tornar-se avô. Seria preciso que a mente humana fosse seriamente modificada, para achar antinatural ser pai ou mãe. Deus conferiu à psique do homem certos instintos que operam em harmonia com os mandamentos dele, e isto produz aquela sensação de equilíbrio natural tão necessária a uma vida feliz. Quanto aos casais que não podem ter filhos, “a graça de Deus lhes basta”. Mas, para aqueles que se recusam egoisticamente a gerar filhos, o desejo humano natural de viver em família resultará numa vida vazia e frustrada.

 

Referências bibliográficas

Alguns dados para o preparo deste artigo foram extraídos do Jornal de Pediatria – Sociedade Brasileira de Pediatria, 1994.

LaHaye, Tim e Beverly. O Ato Conjugal. Editora Betânia, MG, 1989

Enciclopédia Médica da Família – Vol. II – Dr. Tony Smith. Edições Melhoramentos, São Paulo, 1994

Guia da Vida Saudável. Dr. Stephen Carrol, Dr. Tony Smith. Editora Globo, São Paulo

 

 

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